Mikko Hirvonen - Porque é que mudei para a Citroen

Foi uma mudança que causou espanto a meio mundo, mas livre de compromissos, Hirvonen pode finalmente explicar as razões que o levaram a trocar a Ford pela Citroen, após 8 anos e mais de 100 rallys com a Ford.

Isto parece esquisito, mesmo esquisito. De quem são aquelas pernas? São vermelhas! Após aqueles anos todos sentado em cores azuis e brancos num carro de rally, meu primeiro teste com um Citroen foi estranho. Parece que estava a espiar ou qualquer coisas semelhante..

Mas lá estava eu sentado, para o meu primeiro teste com um Citroen DS3 WRC. Foi tão excitante. Acho que alguns de vocês se perguntam como é que cheguei aqui?
Bem, muitas coisas fizeram-me pensar em ir para a Citroen. Meu contracto com a Ford estava a acabar. E Malcon [Wilson, Director Principal da Ford] e a Ford estavam a falar sobre o seu contrato e estava a levar muito tempo a definir as coisas. Nós estávamos a falar com todos os outros.

Eu sempre pensei que seria muito porreiro correr pela Citroen. Depois de termos competido tanto tempo contra eles, achei que seria bom ver como trabalham e ver que tipo de carro é o DS3. Tivemos a oportunidade de ir para a Citroen. Não foi uma escolha fácil de todo, mas às vezes é bom tentar algo diferente. Durante as negociações, eu não falei com o Sebastien [Loeb] acerca do que se passava. Todo o processo foi mantido em silêncio e longe dos media. Mas, assim que as coisas se definira, ele recebeu-me muito bem. Só o vi por breves instantes durante os testes, mas damos-nos muito bem e ele passou algum tempo a explicar-me o carro. Ele ajudou-me muito.


Mas eu vim aqui para testar o carro e fiz isso agora. Duas vezes. Já testei em gravilha e em asfalto. Fiz muitos quilómetros em ambos os testes, estava mesmo desejoso de entrar no carro e conduzi-lo o tempo todo. Não cheguei a fazer alterações de set-up, não tentei fazer qualquer tipo de desenvolvimento no carro, só queria conduzir e sentir o carro.


Honestamente, não esperara que o carro fosse muito diferente. Quando olhas para os resultados contra o Ford o ano passado, não podes esperar isso. Não estava à espera de entrar no DS3, e contar ser meio segundo mais rápido na primeira curva. Os carros estão muito aproximados. Mas foi muito interessante a maneira como os carros trabalham de modo diferenciado. Citroen e Ford tem uma ideia completamente diferente sobre como construir um carro de rally. Vai levar algum tempo até me habituar, mas foi uma bela surpresa para mim, a maneira tão profunda como me integrei no carro e na equipa.



Uma das maiores surpresas para mim no teste, é a maneira como a equipa trabalha. Claro, ambas as equipas trabalham no duro, e a Citroen recebeu-me desde logo bem. Eu pensava que ia ser muito diferente, pois não falo Francês e não sabia que Inglês falavam, mas foi muito, muito bom, toda a gente está a tentar.



Uma das coisas que é diferente é a maneira como eles trabalham como uma equipa, sabes que eles trabalham a um nível alto com enormes expectativas, mas durante a hora de almoço eles param de trabalhar, e têm uma refeição como uma equipa com vinho tinto e fazem uma pausa antes de nós voltarmos a conduzir. A maneira diferente como trabalham foi uma grande surpresa para mim.


Eu posso ver porque eles fazem uma pausa, a comida é mesmo boa. Eu passei muitos anos com o Mick [cozinheiro da Ford], e talvez venha a sentir falta dos ovos e bacon do Mick pela manhã, mas tenho a certeza que me vou habituar a isto. Vou tentar aprender a falar Francês. Eu acho o Francês uma língua difícil de aprender . Italiano ou Francês talvez tenham sido mais fáceis de aprender, mas vou tentar.

Está a ajudar com os mecânicos, estou todo o tempo a perguntar qual é o nome destas peças em Francês, e eles perguntam-me como se chamam em Finlandês. Eu vou tentar, mas não posso prometer conseguir manter uma conversa em Francês no fim de Monte Carlo! Tendo dito isto, o meu Francês já é dez vezes melhor do que era há um mês atrás. Ca va? Vêem, estou a aprender coisas novas a toda a hora.
Por agora, no entanto, mal posso esperar por ir para os rallys e começar a competir. Toda a gente conhece a Citroen, os resultados e do que a equipa é capaz. Faço parte disso agora e estou realmente excitado acerca do futuro.
 
No futuro imediato, estou de certo modo numa situação muito boa, posso estar um bocado nos bastidores e começar com uma equipa nova. Posso conhecer o carro e aumentar minha velocidade à medida que vou conhecendo o carro. Ninguém está a dizer-me para ir lento, acho que posso ir muito depressa e vou ter que lutar contra Jari-Matti [Latvala] e Petter [Solberg], por isso podemos puxar forte e encontrar o limite. Mas, terei que suportar a equipa na luta pelo campeonato dos construtores, mas isto não quer dizer que não posso ganhar rallys, se esse situação surgir.
Quero aprender e seguir a partir dai.

Não há duvidas que vai ser muito estranho competir contra a Ford pela primeira vez. É realmente estranho. Tenho tantas memórias fantásticas com a equipa. Algumas dessas memórias são de quando ganhámos [Campeonato do Mundo de Rallys - Construtores]os títulos [em 2006 e 2007]. Foi óptimo fazer parte disso, mas as melhore memórias para mim, são as pessoas. Tenho tantos amigos com o pessoal de lá. Em muitas maneiras, o que fizemos enquanto estivemos lá não pareceu muito com trabalho duro, era apenas passar um bom tempo com a rapaziada.

Nós éramos muito unidos e conquistámos muitos bons resultados em alguns belos rallys. Quando deixei a M-Sport pela ultima vez, mesmo antes do Natal, foi emocionante. Malcom [Wilson, director geral da equipa] e Christian [Loriaux, director técnico] desejaram-me boa sorte e sucesso, mas não muita sorte e sucesso!

Fonte: hellof1