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Estado actual do automobilismo em Portugal

Muito recentemente vi o excerto de uma entrevista feita a Luis Veloso, onde lhe foi pedido para comentar o estado actual do desporto motorizado no nosso pais.

O que me levou a escrever este artigo, foi quando Veloso recordou os tempos aureos dos trofeus monomarca em Portugal, no caso recordou os tempos da Clio Cup, e da enorme competitividade que havia.

Eu lembro-me perfeitamente desses tempos, acompanhava-os com grande interesse. Foi o tempo dos trofeus monomarca dos Citroen AX, Citroen Saxo,VW Polo G40, VW Golf GTI, Renault Clio, Toyota Starlet, Toyota Carina E, BMW 320i, BMW M3 e outros.

Eram competições com 20 concorrentes, algumas até com 30 ou mais, às vezes com o mesmo piloto a disputar mais que um trofeu e claro a competitivade era enorme, lutas titânicas, acidentes, dramas, enfim era outra coisa como se diz. Adorava assistir e sonhei inumeras vezes em estar lá dentro a participar. Lembro-me do Francisco Carvalho dizer que adorava as primeiras 2/3 voltas naqueles troféus, pela adrenalina que se sentia.

Presentemente pouco ou nada resta desses tempos. Tivemos iniciativas de realçar com o Trofeu Uno, depois o Punto e agora com os Alfa-Romeo 156, tudo graças à FEUP. Pegaram em carros antigos, extremamente baratos, fáceis e baratos de manter e criaram um troféu com ele. Não importa que sejam carros com fracas performances, o que importa é que conseguiram trazer algo que se perdeu de volta, ainda que não por completo.

Um excelente contributo que a FEUP dá
Eu adorava ver aquelas duas ou três dezenas de carros todos iguais, mas com patrocionadores a ditar que uns fossem brancos, outros pretos, outros amarelos, outros azuis que levavam no fim a uma mistura de cores, de vivências, de raizes, de backgrounds diferentes, quer ao nível dos pilotos, quer ao nível das equipas, quer ao nível dos sponsors.


Pois bem, temos um dos mercados automóveis mais fracos da Europa, com vendas anedóticas e com números extremamente baixos, só este ano menos 40% que em 2011. Com tal realidade não é de estranhar que não aja troféus monomarca.


Para mim, é fácil perceber que a razão disto tudo é a crise que vivemos, mas também que se deve ao nosso governo e aos impostos absurdos que impõe no mercado automóvel. Já falei isto antes e volto a falar, um Chevrolet Camaro custa em Portugal mais de 90.000€, enquanto em Espanha não chega a 60.000€ e nos EUA 25.000€. Como este temos outros exemplos gritantes à volta. Não me entre na cabeça, que ninguém no nosso querido governo não consiga perceber isto. Temos um nível de impostos altissimo, em relação ao nosso salário mínimo, custa muito perceber que se esses impostos fossem justos, equiparados com o que ganhamos, que a venda de automóveis iria sofrer um aumento massivo, o que levaria a um boom da industria automóvel? Falo dos seguros, falo dos acessórios para automóveis, falo das peças para automóveis, falo das oficinas, etc. Mas enfim, não é por isso que estou aqui agora.


O que não falta pelo nosso pequeno pais, é centenas de carros de competição parados, a apanhar pó, alguns a aprodecer, e pegando numa ideia lançada à pouco tempo pelo Ricardo Teodósio (no caso para os rallys), porque não por estes meninos a correr? Porque não tentar reatar alguns dos troféus que existiam, com os carros da altura? Estamos a falar de carros antigos, com custos de aquisição baratos, carros que com uma pequena revisão rapidamente estariam prontos a voltar ao activo.



Podia-se criar várias classes, por marca, por cilindrada, etc. Depois nas classes em que houvesse mais de 10 concorrentes, fazer uma corrida só para eles, de modo a dar a maior visibilidade possível aos pilotos e seus patrocinadores.

Caso as coisas estejam complicadas e não seja possível obter 10 carros iguais, toca a misturar tudo numa grande corrida, em que cada um corria com o que tinha, com o intuito de se divertir e dar seu melhor.


Muitos de nós se fosse dada a oportunidade, não hesitariam e avançar com isso, por isso para aqueles que têm um carro desses parado e não têm qualquer intenção de correr com eles, porque não vender esse carro barato a alguém que sabem que pretende dar-lhe uso? Porque não tentar ajudar essa pessoa a conseguir arranjar as condicções mínimas para competir, nem que seja numa prova apenas, nem que seja num track day.


Não faltam por ai pessoas dispostas a contribuir, a ajudar, não por interesse mas por gosto, por paixão. A vida está cada vez mais dificil é certo, e sobreviver já é um feito por si só, quanto mais lutar pelos nossos sonhos ou alimentar nossas ambições ou viver nossos hobbys.

Se me fosse dada essa oportunidade nem pensaria duas vezes. Não importa que levasse 3 voltas de adianto dos primeiros, o que importa é estar lá a fazer algo que gostasmos.
Se souberem de algum parado, com destino incerto que esteja a ocupar espaço na garagem é só dizer.

A pensar...