Nas temporadas de 1994 e 1995, os carros de Formula 1 da Ferrari, eram conhecidos por 412 e 412T2 respectivamente. Hoje vou falar um pouco do 412T2.
Desenhado por Jonh Barnard e Gustav Brunner, o 412T2 era claramente um carro simples, sem soluções inovadoras, conservador até. Era motorizado por um V12 3.0L e tinha uma característica peculiar, a caixa estava montada transversalmente (dai o T na sua designação), configuração que pretendia melhorar a distribuição do peso na traseira. Tinha umas sidepods (aquelas alhetas aerodinâmicas que vemos entre as rodas da frente e as entradas de ar para os radiadores) já bastante desenvolvidas e um nariz baixo. A Ferrari desenvolveu bastante este modelo, que ao longo da temporada foi sofrendo mudanças visíveis, sobretudo na asa da frente que inicialmente era bastante mais alta e que no fim passou a estar muito mais próxima do solo.
Foi o regresso da Ferrari a monolugares competitivos, após alguns anos em que andou claramente perdida. Pilotado por Gerhard Berger e Jean Alesi, o carro conseguiu alguns resultados interessantes, entre os quais alguns pódios, 4 pole-positions, mas apenas 2 vitórias, uma para Gerhard Berger (1994 GP Alemanha) e outra para Jean Alesi (GP Canada 1995).
Este carro tem o seu quê de histórico, pois foi o ultimo V12 da Ferrari na Formula 1, com 5 válvulas por cilindro. Nesse ano, a FIA implementou várias mudanças regulamentares, após as mortes de Senna e Ratzenberger em 1994. A cilindrada dos motores baixou de 3500cc para 3000cc, e os carros passaram a ter que ser mais resistentes, sobretudo à volta da cabeça dos pilotos. Além disso, foram feitas alterações às asas, com a intenção de reduzir a velocidade em curva.
| Shumacker a testar o 412T2 |
Comparando o 412T2 com o seu antecessor, a distância entre eixos era ligeiramente mais curta assim como o comprimento total, permitindo assim montar o motor cerca de 10 cm mais próximo do centro. O depósito de combustível foi também re-alocado. Com todas estas mudanças o carro era melhor balanceado e mais fácil de conduzir que os anteriores.
Assim que tomou a liderança (perdida por Shumacker com problemas na caixa de velocidades que o levaram a ter que ir às boxes, trocar de volante), Jean Alesi pressentindo que esta poderia realmente ser o seu primeiro triunfo, foi inundado por uma alegria incrivel "Eu comecei a chorar no carro. Não conseguia ver a estrada porque quando travava, as lágrimas iam contra a viseira. Não era a reacção que eu esperava ter. Disse a mim mesmo para voltar a concentrar-me no que estava a fazer, e foi isso que aconteceu".
Esta vitória ficou para a história, pois foi não só a primeira vitória de Jean Alesi, mas também a ultima de um Ferrari V12 na Formula 1.
Especificações
Chassis: Ferrari 647
Combustivel & Lubrificante: Agip Petroli
Pneus: Goodyear Eagle
Travões: Discos em fibra de carbono ventilados
Transmissão: Tracção traseira, caixa transversal semi-automatic sequencial de 6 velocidades + marcha-atrás com controlo electrónico, diferencial de escorregamento limitado
Dimensões
Cumprimento: 4380 mm
Largura: 1995 mm
Altura: 980 mm
Distância entre eixos: 2915 mm
Peso: 595 kg
Motor
Designação: Ferrari 3000 (044/1)
Configuração: Normalmente aspirado, 75° V12
Cilindrada: 2997.343 cc
Construção: Bloco e cabeça em alumínio leve
Potência Máxima: aprox. 600 cv às 17.000 rpm
Válvulas: 5 válvulas / cilindro, DOHC
Alimentação Combustível: Injecção digital electrónica Magneti Marelli
Peso: 132 kg
Localização: Central, montado longitudinalmente
Fonte: Wikipedia, f1technical, autohowstuffworks




