Cerca de 10 anos e 450 unidades depois,o Buggati Veyron deixou de ser produzido. Terá sido talvez o carro mais avançado tecnologicamente alguma vez produzido em série. Aquilo que conseguiu fazer merece nosso reconhecimento. Sempre foi o algo a abater por parte dos seus concorrentes. Em 2005 e durante muitos anos, ninguém chegava aos seus calcanhares. E mesmo agora, é preciso muito $$ e muito tuning para encontrar outros superdesportivos que batam o Veyron. E realço isto, que batam um Veyron stock! Falta saber até onde o Veyron conseguia chegar se fosse alvo do mesmo tratamento/investimento.
O Bugatti Veyron EB 16.4 é um superdesportivo de motor central, desenhado e desenvolvido na Alemanha, pelo grupo VW e fabricado em Molsheim-França, pela Bugatti Automobiles S.A.S. A versão original surgiu em 2005, equipada com um enorme W16, quatro turbos, 1016cv de potência e 1250Nm de binário, com uma velocidade máxima de 407,12 km/h. Pensem bem nestes números. Hoje começam a ser mais usuais, mas em 2005 não havia nada que chegasse perto sequer.
A versão atual do Veyron, o Super Sport. É o carro de produção mais rápido do mundo, com uma velocidade máxima de 431,00 km/h e uns estonteantes 1200cv de potência máxima.
Origem do nome
O nome Veyron, foi uma homenagem da Bugatti ao engenheiro, piloto de testes e co-piloto de corridas, Pierre Veyron, vencedor das 24 Horas de Le Mans em 1939. O EB refere-se ao fundador da Bugatti, Ettore Buggati. Já o 16.4 é mais simples. Motor com 16 cilindros e 4 turbo compressores.
Especificações
Vale mesmo a pena realçar algumas das especificações deste Bugatti, para termos real noção do quão avançado foi para o seu tempo.
O motor é um W16 com 8 litros de capacidade. Basicamente dois V8 de 4L juntos. Com 4 válvulas por cilindro, tem 64 válvulas ao todo. O motor é alimentado por quatro turbos e tem uma dupla embraiagem sequencial, com sete velocidades, controlada automaticamente por computadores, e paddle shifters no volante.
Utiliza um sistema de tração integral para conseguir passar ao solo os mais de 1000cv de potência. Além disso usa pneus especialmente desenvolvidos para o Veyron, Michelin PAX de esvaziamento limitado. Cada set custa mais de 60.000€, sim leram bem. Mais de 60.000€. As temperaturas a que os pneus são sujeitos a mais de 400 km/h são enormes, pelo que tem que ser um pneu muito especial. A montagem dos pneus tem que ser em França, pois requer técnicos e equipamentos especializados.
Para conseguir produzir tanta potência, o calor que produz é também enorme, pelo que são necessários 10 radiadores para manter as temperaturas controladas.
- três trocadores de calor para os intercoolers;
- três radiadores para o motor;
- um radiador para o sistema de ar-condicionado;
- um radiador de óleo da transmissão;
- um radiador de óleo do diferencial;
- um radiador de óleo do motor.
Os números ao nível de performances são estratosféricos:
- 0 − 100 em 2,46 segundos (2,2 no modelo Super Sport);
- 0 − 240 em 9,8 segundos;
- 0 − 300 em 16,7 segundos (14,6 no modelo SuperSport);
- 0 − 400 em 55 segundos;
- 100 − 0 em 31,4 metros.
Já no que toca à potência do motor, não há dados concretos, pois mesmo a própria Buggati, afirma que varia de motor para motor. Pelo que o número oficial é por ventura para o lado conservador. No entanto, vamos considerar os 1016cv como referência.
Velocidade máxima
O focus principal do Veyron, é a velocidade máxima. Não foi desenhado para ser rápido em pista, foi desenhado para dizimar qualquer adversário em prestações puras. A 19 de Abril de 2005, na pista de testes de Ehra-Lessien, inspetores alemães registaram uma velocidade média de 408,47 km/h. Números confirmados por James May do Tope Gear, em Novembro de 2006, na pista de testes da VW.
Considero este vídeo épico. As emoções que Mr. "Captain Slow" sentiu e exprimiu, foram das melhores que alguma vez vi num teste do género. Deu para sentir que era tudo genuíno.
Para terem ideia da "potência" da tal chave especial. Sem ela a velocidade máxima do Veyron, é de 343 km/h. Quando o carro passa dos 220 km/h a suspensão desce até ficar a uma distância de 9cm ao solo. A chave que ativa o modo de velocidade máxima, só pode ser ativada com o carro parado. Depois de inserida, a chave ativa uma lista de verificações. O objetivo? Confirmar se carro está em condições de tentar atingir velocidade máxima. Se a verificação for positiva, o carro assume configurações diversas destinadas a otimizar a velocidade máximo. O spoiler traseiro muda de posição os difusores de ar frontais fecham-se, e o carro baixa para um altura ao solo de 6.5cms. Impressionante ah?
Bugatti Veyron 16.4 Super Sport
O Veyron teve várias versões (cerca de 30 ao todo)! Vou saltar para a que considero ser a mais especial. A versão Super Sport. Lançado em 2010, era a resposta da Bugatti ao desafios da concorrência, que proclamavam que o Veyron já não era o menino mais rápido da rua.
Com uma produção limitada a 30 unidades, passou a ter 1200 cv de potência, e 1500Nm de binário. A aerodinâmica foi completamente revista, bem como o peso. A velocidade máxima passou para uns incríveis 431,072 km/h. No entanto, a tecnologia dos pneus não conseguiu acompanhar a do Bugatti, pelo que sua velocidade máxima está limitada a 415 km/h. Acima disso os riscos dos pneus se desintegrarem aumentam imensamente, dai esta limitação.
Nesta foto vemos a versão Veyron 16.4 Super Sport Record Edition, limitada a 15 unidades, com uma cor laranja e preta. Fabuloso ah?
James May também testou o Grand Sport. O vídeo não é tão impressionante como o primeiro, mas vale a pena ver na mesma.
O fim de uma era
Pouco se sabe sobre o sucessor do Veyron. Especula-se que terá cerca de 1500cv de potência, 1100Nm, de binário e 460 km/h de velocidade máxima. Impossível saber como será na realidade. Pode ser ainda mais. O que sabemos do Veyron, diz-nos que para conseguir estes números, tem que haver muito trabalho de Engenharia. É muito difícil conseguir estes números, sem ter riscos de fiabilidade e segurança. Também se fala que seja lançado em 2016. Eu sinceramente estou a contar com 2017 ou 2018.
Esteticamente nunca achei o Veyron um carro atraente. A função levou sempre primazia face à forma. Mas é um carro imponente de ver, estupidamente caro de comprar e sobretudo manter. O sucessor tem uns sapatos enormes para calçar.
"O Veyron não tinha que ser bonito - tinha que cortar pelo vento 160km/h mais rápido que um 747 a levantar voo.”
O Veuron foi desenhado sem compromissos, sem olhar a custos, e sem outro objetivo além de se tornar a referência por entre os super-desportivos. Tanto que diz-se que a VW nunca chegou a ter lucro com o Veyron, muito pelo contrário. O Veyron foi uma obra-prima da engenharia automóvel, cujo reinado durou vários anos.
No entanto, o tempo não pára. O Veyron foi descontinuado porque era velho, e os concorrentes já conseguiam igualar seus números. Existem empresas que se dedicam a bater a velocidade máxima do Veyron. Por menos de 200.000€ consegue-se comprar um Porsche 911, que fica a um mero décimo de segundo da primeira geração do Veyron, no que toca ao mágico 0-100km/h.
Recentemente, temos visto a Ferrari e a McLaren a lançar super-desportivos hibridos, uma tecnologia que o Veyron não possui. O que isto quer dizer, é que o Veyron já não é o pinaculo da industria automóvel. O próximo terá que usar tecnologia hibrida, poluir menos, gastar menos.
O Veyron representa o apex do automóvel à moda antiga. Um testamento para o uso da tecnologia sem consciência ou compromissos. Já não se constroem carros rápidos, sem compromissos ou concessões. O Bugatti Veyron foi talvez a ultima expressão de egoismo puro. Um esforço unico de tecnologia, que ficará para a história como o maior e melhor carro não-hibrido, movido a gasolina.
O Veyron virou um dinossauro, o expoente máximo de uma era dourada.
Fonte: wikipedia




