Scott Redding pilota ex-Kevin Schwantz 500cc Suzuki

Acho que é prática comum dizer sempre que dantes é que era, no meu tempo isto.. no meu tempo aquilo... Posso dizer também que não fujo a essa regra em certos aspetos.


Ainda recentemente, Jeremy McWilliams admitiu que a mudança para as 1000cc a 4 tempos na classe rainha do Motociclismo (MotoGP), prolongou a carreira de todos os pilotos e é fácil ver porquê. São motas carregadas de eletrónica, com ajudas à condução em várias vertentes, sempre com o intuito de transferir essa tecnologia para as motas de estrada. E o que provoca a eletrónica? Menos quedas, muito menos quedas.

Com as 500, a história era outra. Não havia eletrónica, os motores eram bem mais bruscos, os acidentes muito mais frequentes e supostamente por questões ambientais, mudaram para as 4 tempos. Eram motores que duravam menos que os atuais a 4 tempos, mas também eram bem mais baratos de produzir.


Sempre me fez confusão ver um carro ou mota irem parar a museus ou garagens, assim que deixam de ser competitivos, ou de ter utilidade (ao mais alto nível). É óbvio que é preciso dinheiro para manter este hobby carissímo, mas realmente dá-me muito prazer ver noticias como esta, onde foi dada oportunidade a um jovem piloto, Scott Redding, no circuito de Spa-Francorchamps, de pilotar durante 10 voltas, a Suzuki RGV500 de 1994 (há quem diga que seja o modelo de 1995), usada pelo icónico Kevin Schwantz. Isto tudo durante o evento anual Bikers Classic na Bélgica, no famoso circuito de Spa-Francorchamps.


"Alinhar na grelha com todos estes campeões à minha volta, pareceu na realidade que estava a entrar numa corrida de 500cc", declarou Redding.


"Quando estava sentado na mota, em frente a esta multidão, rodeado por tipos como Wayne Gardner, Christian Sarron e Didier De Radigues, fiquei com uma boa ideia de como deve ter sido para Kevin Schwantz, quando se preparou para correr com esta mota em 1994. Foi uma experiência incrivel."

Era suposto serem umas voltas calminhas, mas com tantos ex-campeões em pista, rapidamente se tornou uma corrida, com nomes sonantes como Giacomo Agostini, Phil Read, Wayne Gardner e Christian Sarron, a contribuirem para uma corrida a sério de 10 voltas. Após passar Sarron, Gardner e Didier De Radigues, Redding terminou em 2º lugar, a apenas um segundo do vencedor, Steve Plater que conduzia a Suzuki RGV500 XR88, que Kenny Roberts levou à vitória por quatro vezes na temporada de 1999.


"Fiz um bom arranque, chegando a Eau Rouge na liderança, mas esta era a minha primeira vez nesta pista em duas rodas, numa mota só tinha andado uns 10 minutos antes", revelou Redding. "O resto do pessoal andou ontem, por isso tinham alguma vantagem nas voltas iniciais, mas não me levou muito tempo a ganhar um feeling para a mota e as trajetórias.


"Consegui subir até à segunda posição e tive então uma grande batalha com o Steve Plater nas últimas voltas. No fim, não consegui arranjar maneira de o passar antes da meta, mas um segundo lugar não é muito mau, para a minha primeira corrida numa 500!"



A Suzuki RGV500 XR84 1994 pilotada por Redding, pertence a Steve Wheatman, e é usada em eventos pela sua própria equipa, a Team Classic Suzuki. Com um peso de 135kg e cerca de 195cv do seu motor 2L 498cc a 70º 4 em linha, capaz de a levar a uma velocidade máxima de 320 km/h, com as relações de caixa corretas.

Comparando com a Moto2 que Redding usa normalmente, com um motor a 4 tempos 600cc proveniente de uma Honda CBR 600 RR, é claramente um animal diferente. Basta ver a lista de lesões que Schwantz sofreu ao longo da sua carreira. Claramente uma mota que perdoa muito menos.



"A mota foi absolutamente fantástica. Ok, os travões não são ótimos, mas já esperávamos isso. O comportamento foi incrível, porque a mota é tão leve, era mesmo fácil mudar de direção. Acelera forte também, com a frente a levantar em cada mudança" disse Redding.


"Não precisei do manómetro de rotações, eu mudava de mudança sempre que sentia que a roda da frente estava suficientemente alta! Havia muita potência, mas era controlável, nada como a banda de potência muito curta que estava à espera. Vira como uma 125 e consegue puxar até 6ª. Deviam trazer estas coisas de volta, seria absolutamente mega de pilotar".


Sem 'engine braking' (onde o motor ajuda nas travagens a parar a moto) devido ao motor a dois tempos, Redding não foi capaz de dar uma demonstração do seu estilo de pilotagem particular, bem conhecido no Moto2, mas conseguiu dar uso aos 'raspadores' dos cotovelos.

"Eu estava com o joelho em baixo e podia ver que estava muito próximo com o cotovelo, por isso inclinei-me um pouco mais e lá consegui raspar também com o cotovelo. Acho que não faziam isto nas 500GP em 1994, mas também os pneus que usamos hoje oferecem muito mais aderência que aqueles que Kevin Schwantz tinha que usar na altura".
 

Foi nesta mota que Schwantz gozou sua ultima vitória no Campeonato do Mundo, ganhando o Grand Prémio da Inglaterra, em Donington Park 1994, que coincidentemente, foi também o local da primeira vitória de Redding, em 2008.

Ao pilotar a Suzuki RGV500 em Spa, Redding é agora um dos poucos pilotos no mundo, a ter experimentado as máquinas de MotoGP a quatro e dois tempos, pois já havia testado a Ducati  Desmosedici, em Mugello, em 2012.

Aqui fica um vídeo do evento.