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Ayrton Senna - 20 anos após a sua morte


O tempo passa a voar. Como ele fazia nas pistas. Já passaram 20 anos desde a morte de Ayrton Senna da Silva. Como muitos outros pelo mundo fora, senti um apelo e até obrigação para fazer a minha pequena homenagem, a quiçá o melhor piloto de todos os tempos, imortalizado pela forma como nos deixou.

Minha infância foi passada a acompanhar tudo o que tinha a ver com desporto motorizado. Seguia a Formula 1 sempre que me era possível, via todas as corridas. Recordo com saudade acordar bem cedo ao Domingo para ver o GP de Susuka.


Como qualquer jovem, sempre que via uma competição nova, acabava torcendo por quem tivesse o número 1, que na altura era Alain Prost. Lembro-me muito bem em 1986/87 de ir diariamente com meu pai a um café perto do local de trabalho dele. A marca do café era Segafredo, a dona uma mulher lindíssima e todo o café era igual a qualquer outro, com a diferença de ter inúmeros quadros, todos eles com fotos de Alain Prost e seu McLaren. Pois bem, passou a ser o meu piloto favorito.

A rivalidade com Senna foi lendária. Eram eles e mais ninguém. Voltaram a colocar a Formula 1 na boca do mundo, e agora que passaram 20 anos, com toda a informação disponível, é fácil ter uma noção muito melhor do que se passou na altura. Coisas que na altura era impossível saber. Como em tudo na vida quanto mais empenhado estamos mais damos de nós, e na altura a motivação de Senna era bater Prost a todo o custo. Provar a ele e ao mundo que era melhor. E isso levou a momentos que ficaram na história, tanto dentro da pista como fora.


E embora na altura torcesse por Prost, agora 20 anos passados tenho outra impressão de Senna, um homem profundamente religioso, meticuloso, que na altura era simplesmente o topo no que toca a profissionalismo. Fisicamente era de longe o piloto melhor preparado, e tecnicamente sabia desenvolver um carro como ninguém. Seu talento à chuva era incomparável, e muitas vezes lutou com equipamento inferior, conseguindo por vezes fazer coisas que o carro não conseguia.
Recordo sempre com prazer os tempos em que o carro de Senna tinha o logo da Honda. Durante os dois anos que Senna e Prost estiveram na mesma equipa, ficou evidente que a Honda tinha uma predilecção por Senna, havendo na altura queixas de Prost de uma certa preferência da Honda por Senna, que levava a que os motores de Senna tivessem sempre algo mais. Era assim? Não sei e creio que nunca saberemos. Relembro um evento em Susuka onde Senna foi convidado pela Honda, a assistir e participar no lançamento do icónico Honda NSX. Vendo esses vídeos, é impossível não ficar espantando com a aurea que Senna emanava. Havia algo naquele homem que o fazia parecer algo mais que todos os outros à sua volta. Ok, Campeão do Mundo, famoso em todo o lado, mas não era isso. Era algo mais. Lembro-me de ver Senna a analisar os pneus que iam ser usados no carro. Pneus de estrada, num carro de estrada. Nada de especial. Mas a maneira como os Engenheiros Japoneses olhavam para Senna, ouviam o que dizia. O respeito e admiração que claramente tinham por Senna, sempre foi algo que adorei ver e confesso, invejei. É talvez a imagem mais forte que tenho de Senna.

 
Em 1994, após a retirada de Prost, Senna saiu finalmente da McLaren e atrás da melhor equipa da altura, a Williams. Esse ano, foi o ano que marcou o fim das ajudas electrónicas que havia na altura. A mais proeminente, era a suspensão activa. Era uma tecnologia de ponta, que fazia dos Williams os carros mais competitivos. Pois bem, a retirada dos componentes electrónicos que o próprio Senna sempre pediu para que acontecesse (embora nunca saiba se o fez sobretudo, porque fazia com que não tivesse hipóteses contra os Williams), e talvez outros aspectos técnicos que não sei nem posso falar, fizeram com que o Williams de 1994 fosse tudo menos um perfect match com Senna. Apesar de rápido, era um carro extremamente dificil de guiar, com problemas de equilíbrio notórios. Senna não só não se sentia confortável com o carro,como não se sentia confortável com a equipa. Seria a ausência do seu grande rival de sempre, Prost? Sua relação chegou a ser inexistente, mas após a retirada de Prost tudo mudou. Senna passou a falar com Prost de novo, e pedia a Prost constantemente para voltar. Sua motivação era Prost e não a nova geração de pilotos, liderada pelo na altura jovem Shumacker. Além dos problemas com o carro e a equipa, Senna e muitos outros no paddock, suspeitavam que o Benneton de Shumacker tivesse controlo de tracção, na altura ilegal.
O que é certo é que nas três primeiras corridas, Senna desistiu três vezes. Conseguia sempre ser o mais rápido nas qualificações, mas o que é certo é que não conseguiu terminar as corridas.

O GP de Imola foi pródigo em acontecimento nefastos. Na 6ª feira desse fim de semana, Rubens Barrichello teve um acidente forte e ficou de fora para a corrida.

No dia seguinte, e pela primeira vez em mais de uma década, um piloto desconhecido, Roland Ratzenberger tem uma pequena saida de pista, e após verificar (pensava ele) que estava tudo bem com o carro, decide continuar e na volta seguinte a asa da frente quebra causando o despiste e morte imediata. É esta a versão deste acidente tida com a mais correta. No entanto, muitos anos depois Adrian Newey na altura o projetista do Williams FW16 de Senna, comentou que sempre se sentiu um pouco culpado pelo acidente de Ratzemberger e seu Simtek. Foi pedida a ajuda de Newey para consertar a asa dianteira do carro de Ratzemberger, ajuda que Newey não prestou.


Na altura do acidente Senna estava nas boxes e sua reacção foi apanhada nas câmaras. Senna ficou muito afectado por este incidente e foi notória seu enorme desconforto todo o fim de semana. Claramente não queria correr, não queria estar ali e pairou a duvida quase até ao inicio da prova, em saber de Senna ia competir ou não.

O inicio de corrida deu mais uma indicação que algo de mau ia acontecer. Na largada, o Lotus do português Pedro Lamy, embate no Benneton de JJ Letho. Foi um embate muito forte e perigoso, e à parte alguns espectadores atingidos por destroços dos carros, nada de grave aconteceu.

Após algumas voltas atrás do Pace-Car a corrida começou, com Senna a sair na frente e Shumacker no seu encalce.


Pois bem, na volta 7, a segunda após o reinicio da corrida, algo de errado acontece e Senna vai em frente na rapidíssima curva de Tamburello feita a fundo a cerca de 305 Km/h (segundo dados de telemetria da Williams). Senna reage de imediato e nos 2s seguintes consegue baixar a velocidade para 218 Km/h. O embate é forte e Senna fica imóvel, aparentemente inconsciente. Por breves momentos, a cabeça de Senna mexe-se dando a mim e a todos os que estavam a ver a corrida, esperança! Infelizmente o pior aconteceu, e Senna foi declarado morto pouco tempo depois.
Falar em azar é dizer pouco. Um pedaço de suspensão frente do lado direito do Williams, entrou pela viseira de Senna, causando sua mortea. Não houve nada mais, Senna não tinha escoriações, cortes, ossos partidos ou qualquer outra lesão. 10 cm acima ou abaixo e nada aconteceria e Senna teria voltado para as boxes pelo seu próprio pé.

Lembro-me perfeitamente disse dia. Estava num parque de campismo com a família a assistir ao GP. Na altura do acidente um tio meu tem um comentário frio e sarcástico "foi co ca...". Na altura custou a ouvir, mas infelizmente foi isso mesmo que aconteceu. O resto fica para a história, um piloto endeusado para o resto dos tempos, uma perda enorme, sobretudo para o Brasil, um país em enormes dificuldades, onde Senna era praticamente o único rosto de esperança. Seu funeral foi um bom exemplo da importância de Senna para o mundo.

Não há nada que possa dizer que já não tenha sido dito. Esta é apenas minha versão desse dia.



Entrevista a Alain Prost

Na altura do maior duelo de sempre da Formula 1, eu confesso, torcia por Alain Prost. Naqueles tempos virava fã do piloto que tinha o número 1,e nesses tempos era Prost o Rei. Lembro-me de ir diariamente a um café com meu Pai, onde fornecedor desse café era a Segafredo, que na altura era um dos patrocinadores da McLaren. Esse café estava cheio de fotos de Prost no seu McLaren, o que ajudou à minha preferência por Prost. Tenho muitas saudades desses tempos.


Em seguida, transcrevo uma das entrevistas mais recentes de Prost, onde revela ter sido ele a recomendar a contratação de Senna, ao invés de Nelson Piquet, o piloto pretendido pela McLaren. Mais uma vez, grande entrevista ao Professor, onde revela o quão dificil foram os dois anos de convivência com Ayrton Senna na McLaren.


No dia em que a conquista do primeiro título mundial de Ayrton Senna completou 25 anos, uma importante informação revelada por Alain Prost, em entrevista recente ao canal britânico “Sky Sports”, trouxe à tona a ideia de que a maior rivalidade da história da F1, iniciada justamente na disputa pelo título daquele lendário campeonato de 1988, poderia nunca ter existido. Ou, pelo menos, ter ocorrido de uma forma totalmente diferente.

Durante um quadro de longas entrevistas da rede, chamado “F1 Legends”, o tetracampeão francês declarou que o brasileiro não era a primeira opção da McLaren para aquele ano. Segundo ele, a equipa inglesa estava de olho era em seu compatriota e então bicampeão Nelson Piquet, que à época lutava pelo tri contra Nigel Mansell na Williams.

Prost garantiu ter atuado decisivamente para que a equipe desistisse de Piquet e voltasse suas atenções a Senna, pois, em sua visão, o jovem da Lotus seria uma melhor aposta para o futuro. “Eles queriam Nelson. E Nelson era um bom amigo, sempre fomos próximos, enquanto eu mal conhecia Ayrton. Mas eu falei: ‘Porquê Nelson? Se vocês querem uma equipe forte, peguem o melhor e mais jovem para o futuro: peguem Ayrton’.
Todos olharam para mim e perguntaram por que eu queria Ayrton. E eu disse: ‘É pelo interesse do time’”. relatou.

Para mim, seria mais fácil escolher Nelson, mas eu não vi nenhum problema [em ter Senna como companheiro]. Você precisa sempre tomar decisões que sejam favoráveis ao interesse da equipe. A McLaren era minha família, todos eram meus amigos. E eu nunca havia tido problema com companheiros antes. Sem Ayrton [na equipe], eu poderia ter conquistado talvez mais dois ou três campeonatos, é verdade, e minha vida poderia ter sido um pouco diferente, mas [eu só cheguei  arrepender-me] na época, não agora. Pelo lado desportivo, humano, subimos a um nível diferente”, seguiu.

O resto da história, todos sabemos: a negociação envolveu a  chegada da Honda e, juntos, escuderia, fornecedora de motores e pilotos formaram aquela que talvez tenha sido a equipa mais forte e explosiva da história. Dominantes nas duas campanhas em que atuaram na mesma garagem, os dois arqui-rivais acumularam um título cada, muitas polêmicas e uma inimizade que duraria até o fim de 1993.

Embora a situação só tenha tomado proporções épicas em 1989, já no ano anterior havia sinais de faísca em uma relação que sempre esteve na limiar entre o civilizado e a guerra sem limites éticos. “Lembro-me [do GP] de Portugal, em que [um acidente] foi muito próximo [após ser apertado por Senna na reta principal. Ver vídeo abaixo]. Vamos dizer que foi no limite”, avaliou.


Outra preocupação de Prost naquele período era quanto a um possível favorecimento do fornecedor de motores japonês ao seu companheiro. Embora nunca tenha tido certeza disso, o francês tinha sérias razões para suspeitar e, por isso, aquele cenário acabou sendo prejudicial psicologicamente. Consequentemente, afetou também seu desempenho em pista a partir do ano seguinte.

Em novembro [de 88], lembro de ter tido uma estranha conversa com o presidente da Honda em um jantar, porque eu disse que sentia que a Honda estava favorecendo Ayrton. Ele me respondeu: ‘Eu sei, eu sei. Temos uma nova geração de engenheiros que gostam de Ayrton’. Eu questionei: ‘Há uma forma de mudar isso? Para mim, é muito difícil’, e fiquei bastante confiante após essa conversa”, contou.

Mas aí veio 89 e foi um absoluto desastre. Para mim, 89 foi muito, muito pior. A parte psicológica é muito importante no desempenho de um piloto, eu diria que corresponde a uns 80%. Se você sente que tem algum tipo de vantagem ou privilégio [para seu companheiro, fica abalado]. Lembro-me quando chegavam os motores e sempre havia alguns reservados para o Ayrton. Eu ficava: ‘Gente, o que é isso? Ele recebe motores melhores ou é tudo igual? Eu não sei!’. Você não quer ver isso acontecendo, quer receber tratamento igual. É tudo psicológico. Houve uma grande diferença entre 88 e 89 e eu nunca entendi o porquê”, continuou.

A gota d’água veio no GP de San Marino de 89, quando Senna ignorou um acordo entre ambos e o ultrapassou na curva Tosa, logo após a segunda partida, interrompida devido a um grave acidente de Gerhard Berger na Tamburello. De acordo com o tetracampeão, o brasileiro defendeu que o combinado “não valia” em caso de uma segunda largada, e chegou a chorar após enfim reconhecer seu erro, durante uma reunião entre os dois e o chefe da equipa, Ron Dennis.

Momento em que cena quebra o acordo entre ambos
Fomos para um teste depois da corrida e foi ali que começou o problema de verdade. Estávamos num autocarro e iniciamos a discussão. Apenas Ron falou e ele disse: ‘O que houve? Vocês tinham um acordo’, no que Senna respondeu: ‘O acordo só valia para a primeira largada, não para a segunda. E outra: eu não fiz nada, foi Alain que me passou’. Na hora eu falei: ‘Ayrton, havia sete milhões de pessoas assistindo àquela corrida…’. Demorou 20 minutos até que ele aceitasse [o erro], e aí ele começou a chorar…”, narrou.

O meu erro foi contar essa história a um jornalista francês e pedir que ele não publicasse, mas ele colocou no jornal e Ayrton ficou tão bravo por aquilo ter sido divulgado, que nunca mais quis discutir essa história”, acresceu.

Imerso num ambiente de total animosidade, Prost resolveu deixar a McLaren ainda em meados de 89, mesmo com uma proposta de renovação já em andamento e sem ter qualquer contato com outra equipa. “Em julho [de 89], eu disse a Ron que iria parar e que iria anunciar minha saída da McLaren no GP da França. Eles queriam renovar comigo naquela época, um contrato de mais um ou dois anos. E eu anunciei minha saída sem ter qualquer contato com outra equipa”, revelou.

É claro que Ferrari e Williams vieram-me procurar rapidamente depois disso, e eu fechei com a Ferrari talvez duas ou três semanas depois. Mas aí, depois disso, a relação [com a McLaren] ficou muito difícil… Monza [GP da Itália] foi terrível. Eu tinha o meu carro e quatro mecânicos trabalhando comigo, enquanto havia dois carros e umas 40 pessoas junto com ele. Isso foi difícil de aceitar”, rememorou.

O ápice da história foi vivido no GP do Japão, em Suzuka, quando Prost precisava evitar uma vitória de Senna para ser campeão a uma corrida do fim da temporada. Na 47ª de um total de 53 voltas, o paulista fez uma ousada tentativa de ultrapassagem na última chicane e os dois bateram, num acidente que, para muitos, foi provocado propositadamente pelo francês.

O momento mais alto de toda a história da Formula 1, no Japão em 1989

Prost, no entanto, voltou a defender que o máximo de sua ação foi “não abrir as portas” para a ultrapassagem do rival. “Ele estava tão atrás que, quando eu olhei no espelho pela primeira vez, [nem me preocupei, porque] ele estava muito atrás. De repente, vi-o do meu lado e não acreditei que ele estava lá. Obviamente, não mudei [a trajetória], fazendo exatamente aquilo que pretendia fazer. Mas fiquei muito decepcionado e sabe porquê? Porque eu não venci, e eu poderia ter vencido facilmente”, disse.

Para o segundo maior vencedor da história da categoria, a teoria de que Senna só foi desclassificado daquela etapa por atuação direta sua junto ao chefão da FISA, Jean-Marie Balestre, também não passou de algo vindo da cabeça do brasileiro.

Quando você vive uma luta como essa, muita gente à sua volta começa a colocar coisas estúpidas na tua cabeça. Isso não ocorria muito comigo, porque eu tinha poucas pessoas ao meu redor, mas Ayrton era rodeado por muita gente. E ele era extremamente forte em alguns aspectos, mas também muito fraco no que diz respeito a ser influenciado pelo que as pessoas diziam, então a situação chegou a um ponto fora de controle”, argumentou.

A resposta do futuro tricampeão veio em 1990, no mesmo palco nipônico. Assim como Prost no ano anterior, Ayrton jamais admitiu oficialmente ter colidido de propósito, alegando que já estava lado a lado com a Ferrari #1 no momento do choque. Não é o que Alain pensa a respeito: “Para fazer o que ele fez, era preciso manter o pé em baixo, e fazer aquilo [por dentro, em uma largada] é algo que não passa pela cabeça de um piloto. Eu queria ter visto a telemetria do engenheiro dele, porque todos sabiam o que tinha acontecido”, opinou.
A vingança de Senna, novamente em Susuka, 1990
No entanto, os dois nunca chegaram a conversar para tentar esclarecer o que, de fato, ambos fizeram naqueles dois polêmicos incidentes que marcaram para sempre suas vidas e a própria F1. “Não, nunca. Nós conversamos sobre muitas coisas em 1993, sobre diferentes assuntos, mas nunca mais tocamos nesse ponto”, assegurou Prost.

Mais um assalto deste tremendo duelo foi vivido em 93, quando Prost assinou com a Williams e vetou a chegada de Senna à equipe. Fatigado da árdua batalha que vivera com seu então inimigo na McLaren, o francês admitiu que aquela foi sua única exigência nas negociações com Frank Williams, ainda em 92. Depois, por pressões do próprio chefe e da Renault, ele teve de ceder em meados de 93 e preferiu retirar-se de vez no fim da temporada, mesmo tento contrato com a escuderia até o fim de 94.

Eu nunca exigi ser o primeiro piloto ou ter qualquer vantagem em meus contratos. Quando assinei com Frank, em Novembro ou Dezembro do ano anterior, disse que queria disputar contra Ayrton, sem problemas, mas não mais no mesmo carro, na mesma equipa. Não queria fazer todo o trabalho, todo o desenvolvimento e aí ele chegar e só colher os resultados. E ele respondeu que tudo bem. O contrato era de dois anos”, lembrou.

E aí, mais ou menos em julho, ele procurou-me e tentou explicar que havia uma pressão da Renault pela contratação de Ayrton. Eu argumentei: ‘Temos um contrato e você sabe porquê. Para mim, sem chances, não dá para aceitar’. Mas a pressão foi crescendo e crescendo, até ele me ligar e oferecer a rescisão, que eu aceitei sem nenhum problema. Eu não fiquei tão contente, mas pelo menos fiquei feliz de ter encerrado aquilo.

Momento em que Senna e Prost começam a re-aproximar-se, no ultimo
GP da Alain Prost, Australia 1993

Após mais uma batalha entre ambos, dessa vez pela conquista de uma vaga na Williams, Senna e Prost enfim iniciam tempos de paz no pódio do GP da Austrália de 1993.

Passada a fase “quente”, vieram as pazes, com o memorável gesto em Adelaide, que viria a ser a última presença de Prost e Senna em uma cerimónia de pódio. “Quando chegamos ao pódio Austrália, eu não queria pedir nada. Mas foi só subir ao pódio junto com ele e tudo mudou completamente. A entrevista conjunta foi inacreditável, ele ligou-me dois dias depois e começou a me contar coisas extremamente pessoais, que não se conta a ninguém”, declarou.

É difícil falar que viramos amigos, mas com certeza ficamos muito mais próximos e [a relação] se tornou algo bem diferente do que era antes. Para todos, a rivalidade contra os adversários é sempre algo muito importante na F1, e ele me confessava repetidas vezes: ‘Alain, eu não tenho motivação para competir contra esses caras. Por favor, volte’.”

Poucos meses depois, naquele fatídico 1º de maio, Senna morreria em um acidente na Tamburello. Na cabeça de Prost, ainda restava um último gesto para que as diferenças ficassem de vez no passado. “Eu liguei para Jean-Luc Legardère, ex-presidente da Matra, que tinha uma esposa brasileira, e perguntei o que ela achava da ideia de eu ir ao funeral, se seria bom ou não. E ela disse que eu deveria ir. Eu não estava muito confiante, mas queria mesmo fazer aquilo e foi muito, muito bom para a minha vida, porque foi quando deixei tudo para trás, encerrei todos os desentendimentos e foi muito emocionante”, completou.

Íntegra

Veja a entrevista completa de Alain Prost (em inglês) no vídeo abaixo. Nela, o tetracampeão conta histórias interessantíssimas de sua carreira, como quando negou uma proposta da McLaren para estrear no GP do Leste dos Estados Unidos de 79, em Watkins Glen, porque “não conhecia a pista e nem o carro”, e que achou que aquela decisão iria colocar fim às suas chances de se estrear na categoria.

Também explica sua conturbada passagem pela Renault, entre 81 e 83, afirmando que “tinha mais facilidade para trabalhar com o estilo pragmático dos anglo-saxões”, e que teve de se mudar da França por causa da luta interna com René Arnoux, que não quis ceder posição a ele no GP da França de 82. “Queimaram dois carros meus. Foi a pior situação da minha vida e eu nunca entendi por que as coisas estavam assim”.


Ele ainda classificou seus primeiros três anos de McLaren, junto com Niki Lauda e Keke Rosberg, como os melhores de sua carreira, no que toca ao ambiente da equipa. “Eu era um grande fã de Niki e confiava muito no que ele fazia, porque ele era um piloto com estilo praticamente igual ao meu. Já Keke era muito próximo a mim e éramos bons amigos”, recupera.

Sobre o período de Ferrari, Prost defende que nunca exigiu ser primeiro piloto de Nigel Mansell em 90 (algo contra o qual o inglês reclama até hoje), e que foi a própria postura do “Leão” que o deixou livre para comandar o desenvolvimento da escuderia naquela temporada. “Eu e Nigel éramos amigos antes de eu chegar à Ferrari e o que houve foi uma espécie de mal entendido. Ele só apareceu em um ou dois briefings durante todo o ano, não gostava de ir às reuniões. Preferia ir jogar golfe, então  deixou-me atuar como um primeiro piloto, mesmo eu não tendo contrato de primeiro piloto”, garante.

Por fim, ele faz um interessante comentário a respeito do FW15C, modelo com o qual obteve seu quarto título, em 1993, de maneira absolutamente dominante. “Era aquele tipo de carro com o qual não dava para competir com os outros, porque era muito avançado tecnologicamente, mas não foi o meu favorito em termos de trabalho [no desenvolvimento]. Eu gosto de trabalhar com os engenheiros no acerto e não podia fazer isso com esse carro, porque era tudo computadorizado. Portanto, eu não ‘sentia’ o carro da forma que gostava e foi uma temporada estranha”, diz.


Adoro estas entrevistas.

Fonte: Tazio

Formula 1 - Volta de Senna em Spa 1991

Naquela altura não havia limite de altura ao solo, pelo que
imagens como esta, com faiscas a sair por todo o lado eram
frequentes... e eu digo.. porque não pode ser assim agora??

Eram tempos mágicos na Formula 1, os carros eram mais largos, os pneus muito maiores, e não havia tantas restrições ao nível do motor. Tinham que ter 3.5L, fora isso podiam ser V8, V10 ou V12.

No caso da McLaren, usam um motor Honda V12 com cerca de 650 cv, com um som absolutamente mágico. Acho simplesmente delicioso os toques que Senna dá no acelerador enquanto faz as curvas, era uma técnica que usava no tempo dos 1.5L turbo, para manter a pressão do turbo alta, mas pelos vistos tal técnica provou ser eficaz com estes motores aspirados, pois Senna continuou a usa-la.

Espectacular também, é ver Senna a sair de Eau Rouge, com dois carros lentos à sua frente, um de cada lado, e passar por eles sem hesitar. Fantástico!!

Nota: Apesar de ser na qualificação, esta não é a volta que deu a pole a Senna.



Formula 1 - Ayrton Senna em Kyalami 1992

Poucos têm duvidas que Ayrton Senna foi o melhor piloto de Formula 1 de todos os tempos.

Neste vídeo vemos os primeiros momentos do GP em Kyalami, onde Senna parte em primeiro. Foi o ultimo ano da parceria entre a McLaren e a Honda, com seu fabuloso V12 3.5L, que ainda hoje nos deixa loucos com aquele som espectacular.

Pensar nestes Formula 1 e nos actuais, é realmente uma diferença astronómica, a diferença na tecnologia é gritante, basta ver a instabilidade que o carro de Senna tem, que lembrem-se, ainda não tinha as patilhas no volante para mudar as velocidades.

Não esquecer que em 1992, a Williams-Renault tinha de longe, o melhor carro do campeonato, pelo que apesar de todo o seu talento, Senna foi incapaz de manter o título. Impressionante a superior aceleração à saida das curvas do Williams.




Senna vs Mansell - A melhor batalha de sempre da Formula 1

Sempre discutível é claro, mas para mim este foi o melhor duelo de sempre da Formula 1. Estamos em 1992 no Mónaco, onde Mansell com o ultra-dominador Williams e já com 30s de avanço sobre Senna, tem um furo que o obriga a ir às boxes.

Mansel sai atrás de Senna e após 3 voltas na perseguição, cola-se a Senna e acabamos assistindo a 3 voltas finais incríveis, com Senna num carro inferior e pneus gastos, contra Mansell no melhor carro e com pneus frescos.

Neste vídeo, a cereja em cima do bolo é mesmo os comentários dos jornalistas japoneses. Não percebemos puto é certo, mas ver o vídeo e perceber o entusiasmo dos comentadores, tornam-no ainda mais perfeito.


E aqui mais uma prova que naqueles tempos, o relacionamento entre os pilotos eram totalmente diferente (para melhor), a entrevista no final da corrida.


Carreira de Ayrton Senna em fotos

Apesar de na altura ser fã do Alain Prost, não tenho duvidas em concordar com o que muita gente pensa, Ayrton Senna foi, é e provavelmente será sempre o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos.

É complicado comparar eras diferentes, mas não era só pelos seus dotes de pilotagem, ou a sua capacidade de ter o respeito, admiração e medo (importante neste mundo) de todos. Além disso Senna tinha uma aurea própria, que tornava muito difícil olhar para ele como alguém igual aos outros. Sua relação com a Honda, era algo fora do normal, tudo o que ele dizia era lei, tudo o que ele pedia era feito, e a sua morte embora trágica e lamentável, acabou por contribuir para o imortalizar.

O site Inglês Autosport prepara-se para celebrar a vida de Senna, mostrando todos os carros com que Senna correu e colocou à disposição, algumas dessas fotos.

Senna começou sua carreira na Formula Ford 1600 em Inglaterra, em 1981.
Ainda em 1981, Senna chegou a anunciar sua retirada do desporto motorizado,
para depois voltar atrás e vencer a Formula 2000, antes de conquistar o título na
Formula 3 em 1983.

Senna estreou-se na Formula 1 em 1984, pela Toleman.
Esta foto foi tirada na sua estreia, no GP do Brasil.
Logo na temporada de estreia, Senna esteve muito próximo de
chocar o mundo, quase vencendo o GP do Mónaco.
Ainda em 1984, entre as suas corridas na Formula 1, Senna também
juntou-se a Henri Pescarolo e Stefan Johansson, para correr pela
Joest Porche, nos 1000 Km de Nurburing. Foi a única corrida de Senna
neste tipo de competição.
 
Senna em Zandevoort em 1984 com a Toleman
Senna mudou-se para a Lotus em 1985, naquela que é para mim
as cores mais belas alguma vez vistas num Formula 1. Nesta foto
Senna a correr no 1º GP do ano, precisamente no Brasil.
Primeira vitória de Senna na Formula 1, logo na 2ª corrida no Estoril.
De realçar que Senna tinha um carro inferior, mas seu enorme talento
à chuva, colmatou todo esse handicap.
Fantástica foto de Senna no GP de França em 1985, onde Senna
teve inúmeros problemas, com a caixa a ficar encrava em 3ª
velocidade, para pouco depois ver o motor partir de forma
espectacular.

GP Mónaco em 1986, Senna terminou em 3º.
Em 1987 ainda na Lotus, agora com as cores da Camel, Senna
conseguiu 2 vitórias, a ultima das quais em Detroit.

GP Inglaterra em 1987, Senna a lutar pelo 3º lugar com Michele
Alboreto.

GP Austria em 1987, Senna terminou em 4º lugar.

Em 1988, Senna mudou-se para a McLaren, tendo dominado a
temporada, e ganhando o seu 1º título contra o seu grande rival
Alain Prost. Nesta foto vemos Senna no GP de Inglaterra.
Na temporada de 1988, a McLaren ganhou todas as corridas
excepto em Monza, onde Senna a lutar pela vitória, acaba tendo
problemas com outro piloto atrasado, impedindo o pleno da McLaren.
Em 1989, nova luta renhida pelo campeonato, saindo Prost vencedor.
Mesmo assim Senna ganhou 6 vezes, entre as quais no Mónaco.
Por esta altura, já Senna e Mónaco eram praticamente sinónimos
um do outro.
Em 1990, Prost muda-se para a Ferrari e Senna fica claramente
como piloto Nº1 na McLaren. Jamais esquecerei a confusão que
me fazia, ver aquele Nº 27 (historicamente ligado à Ferrari) no
McLaren de Senna.
Senna a caminho da vitória em Monza, em 1990.
Senna ganhou seu 2º campeonato em 1990, numa grande luta
contra Mansell. Nesta foto Senna conseguiu levar a melhor sobre
Mansell, vencendo no Estoril.
Em 1991, Senna ganhou o seu 3º e ultimo título na Formula 1.
Nesta foto em Phoenix, Senna está a caminho de nova vitória no
GP dos Estados Unidos.

Ao vencer no Mónaco, Senna obteve a 4ª vitória seguida em 1991.
Ultima corrida de 1991 na Australia,já com o título garantido.
Acabou por ser a corrida mais curta de sempre na história da
Formula 1, devido às condições climatéricas.
Em 1992, o Williams de Mansell provou ser imbatível, dando a
Mansell o título. A excepção foi no Monaco, onde Mansel teve
problemas e acabou na perseguição a Senna. Apesar de estar num
carro superior e com pneus bastante mais frescos, Mansell não
conseguiu passar Senna. As ultimas voltas são absolutamente
electrizantes, Mansel disse Foi o melhor 2º lugar da minha carreira
A temporada de 1992 terminou novamente na Australia, com
um acidente controverso entre Senna e Mansell.
Em 1993, a Williams domina novamente, desta vez com Prost.
Nesse ano, Senna produz aquele que será a sua melhor corrida
de sempre, quando em Donnigton Park, numa corrida marcada
por condições climatéricas muito difíceis (tanto chovia como dava
sol), arranca em 5º e no final da 1ª volta já vai em 1º.
Senna em acção no GP de Portugal, onde abandonou com
um motor partido.
Ultimo ano de Senna na Formula 1, em 1994 com a Williams. Nesta
foto vemos Senna no Brasil, onde abandonou por despiste, quando
perseguia o líder Shumacker.
2ª corrida, 2º abandono, desta vez em Aida, onde Senna abandonou
ainda na 1ª curva, quando Hakkinen despista-se e leva consigo Senna.
Ultimo GP de Senna, em Imola. O resto já sabem.